Aqui você se encontra!

Como Lidar com a Raiva

raiva
  • 20 de nov de 2015
  • Sheila Almeida
  • 1307 Visualizações
  • Seja o primeiro a comentar

A raiva constitui-se como uma emoção humana normal e habitualmente saudável. Os problemas surgem quando se torna descontrolada e destrutiva, podendo afetar o trabalho, a escola, as relações pessoais e a qualidade de vida no geral. O descontrole leva a que uma pessoa se sinta “à mercê” de uma emoção imprevisível e poderosa.

De um modo geral, a raiva define-se como um sentimento de protesto, insegurança, timidez ou frustração, contra alguém ou alguma coisa, que se exterioriza quando o ego se sente ferido ou ameaçado. A intensidade da raiva, ou a sua ausência, difere entre as pessoas. Alguns psicólogos apontam o desenvolvimento moral e psicológico do indivíduo como determinante na maneira como a raiva é exteriorizada.

Este sentimento pode ser despoletado por acontecimentos externos e internos. Pode se ficar zangado/com raiva em relação a uma pessoa específica (p.e. um colega) ou acontecimento (p.e. engarrafamento no trânsito). A raiva pode ainda ser causada por preocupação excessiva ou focalização nos problemas pessoais. As memórias de acontecimentos traumáticos ou marcantes também podem desencadear esta emoção.

Quando as pessoas ficam com raiva, tendem a experienciar variados pensamentos, sentimentos e reações físicas. Para alguns, os sentimentos tornam-se tão arrebatadores que parecem estar “prestes a explodir”. Outros podem não saber que estão muito zangados com a situação, mas sentem-se doentes, culpados ou reagem exageradamente a outras situações. Seguidamente são apresentadas algumas expressões diretas e indiretas de raiva.

Sinais diretos: elevação do volume da voz, praguejo, dores de cabeça, dores de estômago, aperto na garganta, aumento do ritmo cardíaco, aumento da pressão sanguínea, punhos cerrados, ameaças, violência, pressão, hostilidade, fúria, ressentimento.

Sinais indiretos: excesso de sono, fadiga crónica, ansiedade, entorpecimento, depressão, aborrecimento, exagero, perda de apetite, choro, crítica constante, piadas más ou hostis, abuso de álcool ou drogas.

Muitas pessoas experienciam estes sinais gerais de raiva. Saber identificá-los constitui-se como o primeiro passo para melhor lidar com eles. Alguns sentimentos e pensamentos ocorrem quando a raiva surge; outros surgem à medida que a raiva aumenta.

De forma a identificar de que modo os sintomas se desenvolvem, a pessoa deve tentar pensar em situações passadas em que parece que a raiva esteve presente e tentar recordar que sentimentos e pensamentos a acompanharam. Será bastante útil pensar em situações em que se experimentou diferentes níveis de raiva, de modo a melhor compreender como os sentimentos, pensamentos e sintomas físicos foram se modificando.

A maneira mais natural e instintiva de expressar raiva é através de respostas agressivas. A raiva é uma resposta natural, adaptativa a ameaças; desencadeia sentimentos e comportamentos poderosos, frequentemente agressivos, que permite lutar ou defender quando atacado/a. Uma certa quantidade de raiva é, portanto, necessária para a nossa sobrevivência.

Por outro lado, não se pode descarregar em cada pessoa ou objeto que irrita ou chateia; as leis, normas sociais e senso comum estabelecem limites à expressão da raiva. As pessoas se servem de uma variedade de processos, conscientes e inconscientes, para tentar lidar com estes sentimentos de um modo eficaz e socialmente adequado.

Três deles se destacam:

Expressar os sentimentos de raiva de um modo assertivo (e não agressivo). Implica apresentar claramente as necessidades pessoais e como podem ser satisfeitas, sem prejudicar os outros. O respeito do próprio e dos outros é regra principal.

Suprimir os sentimentos. Isto acontece quando a pessoa retém a raiva, deixa de pensar nela e focaliza em coisas positivas. O objetivo é inibir a raiva e convertê-la em comportamentos mais construtivos. O perigo é que, ao não permitir a expressão externa da raiva, ela se vá expressar internamente (p.e. hipertensão, depressão).

Acalmar/relaxar. Isto implica, não só controlar a expressão do comportamento mas também as respostas internas. Em última instância, também os sentimentos são “amenizados”.

Deixe um comentário