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Invejoso X Invejado: quem é o grande prejudicado?

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  • 14 de Mar de 2017
  • Sheila Almeida
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Se o mundo fosse simples, pouco importaria o que acontece com os outros quando a gente ganha ou perde. Mas não: se você perde dinheiro, fama ou recursos, mas seus colegas perdem ainda mais, sua perda é relativizada, e você sente até um prazerzinho com a dor maior dos outros. É o prazer com o sofrimento alheio quando este alivia o nosso. Essa atitude tem sua utilidade ao relativizar nossas perdas – o infortúnio alheio nos lembra que nossa sorte poderia ter sido pior.

O problema é que essa relativização também acontece no outro sentido e afeta nossa capacidade de curtir a própria sorte. Se você ganha, pouco deveria importar se os outros também ganharam ou não; o que você fez deu certo. No entanto, descobrir que alguém ganhou ainda mais do que você diminui seu prazer. É daí que nasce a inveja: da relativização do seu sucesso, mesmo quando ele deveria ser perfeitamente satisfatório. Seu prazer de conseguir comprar um carro bacana deixa de ser tão bom quando você descobre que o vizinho comprou um carro melhor ainda pelo mesmo valor. A inveja é a cobiça do sucesso alheio à custa do próprio desmerecimento.

A neurociência conseguiu localizar as bases da inveja justamente no sistema de recompensa, o conjunto de estruturas do cérebro que sinaliza quando nossas ações são bem-sucedidas e nos premia com uma sensação física e mental de prazer. Ocorre quando o cérebro registra o lado bom de uma situação que deveria ter sido apenas ruim, e gera ativação do sistema de recompensa – e com isso, prazer – e quando o sofrimento alheio indica que você foi mal, mas poderia ter sido pior. Também a ativação do seu sistema de recompensa, e portanto, sua sensação de prazer, é reduzida quando seu cérebro entende que seu sucesso poderia ter sido maior – como prova o alvo da sua inveja.

A inveja tem lá sua utilidade, ao lembrar que você poderia se sair ainda melhor. A pena é o custo da inveja, que estraga o que poderia ser um prazer perfeitamente bom. Mas existe saída: é possível educar-se para transformar a inveja, colocando-se no lugar dos outros e vivenciar com eles o sucesso ainda maior que o seu. Ainda bem que essa capacidade, a empatia, nosso cérebro também tem.

Duas posturas são fundamentais para se proteger da inveja: a primeira é a atitude interna, emocional, de trabalhar sua autoestima, sua autovalorização e, com isto, reter a sua energia ao tomar posse de si mesmo, estar íntegro. É preciso ser dono de si mesmo e uma dica é ser decidido, pois quem vive em dúvidas está repartido em mil pedaços de energia que são colocados nas mãos de cada pessoa ligada aos seus conflitos, ou jogados ao “vento” a quem queira se apossar. Assuma as suas escolhas e arque com as consequências, e a sua vida estará em suas mãos!

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