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Medo do Sucesso

  • 01 de Abr de 2014
  • Sheila Almeida
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Vamos analisar: um jovem profissional, casado, com uma carreira brilhante, recém promovido, se envolve com uma das suas funcionária. O romance terminou em uma briga escandalosa e sua carreira na empresa também terminou. Outro profissional, com excelente salário, dizia aos superiores que fazia caras viagens para fechar negócios milionários durante as viagens. As viagens, de fato, aconteciam. Mas os clientes não existiam, eram inventados por ele. Também terminou despedido. Por fim, o presidente de uma empresa seguia bem sua carreira até o dia em que resolveu ter um caso com a mulher de um dos membros do conselho administrativo. É claro, também foi demitido.

O que as três histórias têm em comum: esses executivos destruíram suas carreiras justamente quando estavam prestes a alcançar, ou tinham alcançado, o sucesso. Trata-se de pessoas ineptas? É bem provável que não, caso contrário não teriam conseguido nem começar uma carreira profissional. São pessoas desequilibradas? Não se tem certeza, mas também é provável que não. O que se pode afirmar, com certa segurança, é que eles são exemplos de pessoas castigadas por aquilo que poderíamos chamar de "medo do sucesso". Pessoas que quando estão chegando lá fazem uma ou uma série de besteiras que as impedem de atingir ou aproveitar aquilo pelo que lutaram.

Para quem acredita que esse tipo de atitude é fruto de imaginações férteis, sobretudo numa época na qual quem tem um emprego está mais é se esforçando para mantê-lo, creiam são fatos que realmente aconteceram.O "medo do sucesso" (um mal que não pode ser definido como doença, mas, em níveis elevados, chega a ser uma neurose) não é privilégio dos executivos, embora o competitivo universo empresarial dê sua contribuição indiscutível. Esse temor atinge homens e mulheres de todas as raças, credos e classes, dos sapateiros aos empresários, das donas de casa aos políticos.

Qualquer pessoa pode já ter vivenciado uma dessas experiências sem ter se dado conta. Ao saber que vai mudar para um emprego melhor ou ser promovido onde está, você começa a chegar atrasado no trabalho. Ou passa a perder tempo demais com tarefas menores. Ou não comparece ao almoço marcado com o diretor da empresa que pode contratá-lo. Ou simplesmente se torna menos produtivo do que normalmente é. Você não consegue entender como, nem por que, está pondo a perder o que conquistou.

Aliás, ninguém consegue. Aos olhos dos outros esse tipo de comportamento parece proposital, assim como se você estivesse se autodestruindo. Mas é completamente inconsciente. Ninguém estraga o que fez ou trabalha contra si mesmo, não conscientemente. É bom que isso fique bem claro. Porque senão, além de a pessoa perder ou não conseguir o que queria, ainda vai carregar o sentimento de culpa de que foi ela mesma sua grande inimiga.

Para um leigo fica mesmo difícil acreditar que uma pessoa normal possa se "autoboicotar" numa situação em que o prejuízo é só dela própria. A questão é que não se trata de um boicote de caso pensado e sim involuntário. Tanto que, se perguntarmos ao sujeito que faltou ao almoço decisivo por que ele fez isso, ele terá uma explicação. E ainda que se mostre abertamente que foi ele quem se estrangulou, dificilmente vai acreditar. Será que em sã consciência a pessoa queria mesmo destruir seu grande sonho? É complicado. Principalmente porque as pessoas tendem a atribuir seus erros aos outros.

Os deslizes fazem parte do comportamento de qualquer ser humano. O problema é fazer muitas bobagens com grande frequência. Todos nós lançamos mão de um ou outro mecanismo neurótico de vez em quando. Se as consequências forem pesadas demais, convém parar e tentar entender o que tudo isso quer dizer. Por que essas coisas acontecem? A psicologia sugere um extenso e variado número de explicações para isso. Elas serão mais facilmente entendidas se partirmos do seguinte princípio: os fatos nunca ocorrem de forma isolada. Tudo o que se realiza na vida prática vem sempre acompanhado por um cortejo de fantasias inconscientes. É como se a cabeça da gente sempre funcionasse em dois níveis - o do consciente e o do inconsciente.

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