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Razões para perdoar

maos-dadas
  • 25 de Jul de 2017
  • Sheila Almeida
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Saber perdoar a nós próprios e a quem nos fez mal pode não ser fácil. Mas é um ato necessário para nos libertarmos de rancores, evitar doenças e seguir com a vida em frente. E por que é tão difícil perdoar? Muitos confundem o perdão com a aceitação de uma injustiça. Mas perdoar não é ser condescendente. Não é, por exemplo, deixar livre um criminoso, que precisa ser responsabilizado pelos seus atos. Perdoar é conseguir libertar-se do seu sentimento de mágoa para com o outro ou relativamente a si próprio. Em algumas situações da nossa vida deparamo-nos com situações que nos ofendem e magoam, em maior ou menor escala, e, portanto, esta capacidade de perdoar é sempre necessária. E por quê? Quais são as razões para, efetivamente, perdoar?

Algumas razões que nos levam a acreditar que é necessário perdoar:

O ressentimento desgasta-nos física e emocionalmente. O ressentimento, para além de ser cansativo, é um sentimento que leva à depressão, ansiedade ou ataques de pânico, alterações no sistema imunitário, dificuldades cardíacas e outros problemas físicos relacionados com o nível de stress do nosso organismo. Diz-se que “o ressentimento é como a própria pessoa tomar veneno e esperar que a outra pessoa morra”. Comparando com a raiva, esta é como uma intoxicação alimentar que pode ser muito intensa, mas termina rapidamente. Relativamente à raiva, podemos reconhecê-la, expressá-la e, finalmente, deixá-la ir.

Seguir em frente com a nossa vida. Sabemos que, muitas vezes, não é assim tão fácil a pessoa libertar-se do passado. E pode haver, de forma inconsciente, uma compulsão repetitiva de voltar a um evento traumático ou a determinado padrão de comportamento. Por exemplo, se foi magoado por um parceiro romântico no passado e a questão não foi “resolvida” internamente, é muito provável que volte a escolher inconscientemente um parceiro com características idênticas, para poder “resolver” a situação. Neste sentido, perdoar o que aconteceu será a melhor forma de seguir numa direção positiva e ultrapassar a situação.

Deixar de ser controlado pelo comportamento de outra pessoa. É importante perceber que, de uma certa maneira, a pessoa que não perdoa continua ligada ao seu objeto de ressentimento, pois na sua cabeça continua a reviver a situação. Ao perdoar pode libertar-se dessa ligação penosa e viver livremente.

Sentir-se poderoso! Aceitar e estar em paz com uma situação que ocorreu e nos magoou, e saber que podemos não ficar presos a ela, dá-nos poder e controle. Perdoar mostra-nos que estamos a assumir responsabilidade pela nossa felicidade, em vez de deixar que as ações dos outros determinem o nosso estado de espírito. Assumimos assim o papel de herói em vez do de vítima.

Voltar a ter a capacidade de amar. Quando temos esta capacidade de perdoar, quando assumimos esta decisão de perdoar, em vez de ficarmos imersos na dor e no ressentimento, estamos com certeza a caminhar no sentido de voltar a amar e de encontrar esse amor dentro de nós e para com os outros.

O perdão interpessoal é uma atitude moral na qual uma pessoa considera abdicar do direito ao ressentimento, julgamentos negativos, e comportamentos negativos para com a outra pessoa que a ofendeu injustamente, e, ao mesmo tempo, nutrir sentimentos imerecidos de compaixão, misericórdia e, possivelmente, amor para com o ofensor. Essa definição enfatiza que se a ofensa é considerada injusta e infligida por outra pessoa, o perdão é uma escolha ou disposição por parte da vítima, e não uma obrigação, uma vez que a pessoa ofendida tem direito ao ressentimento, e a nova postura da pessoa ofendida inclui mudanças em três dimensões: afeto (superação do ressentimento por meio da compaixão), cognição (superação da condenação por meio do respeito e/ou generosidade) e comportamento (superação da indiferença ou tendência à vingança por meio de um senso de boa vontade em relação ao ofensor, ou mesmo de condutas de reaproximação).

Assim, como acontece com outros comportamentos, perdoar também se torna mais ‘fácil’ com a prática. Finalmente, muito se fala também sobre a necessidade de que aprendamos a perdoar a nós mesmos ao longo da vida. Em relação a isso, esses esclarecimentos também se aplicam, com a diferença de que nesse caso, aquele que perdoa e aquele que recebe o perdão, são a mesma pessoa. Assim, perdoar a si mesmo, é também um processo, que começa com uma decisão, e envolve mudanças, especialmente, na maneira como pensamos e sentimos em relação a nós próprios.

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