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Será que o último workshop gratuito em 30 de novembro ajudou os participantes a perceberem de onde vêm os seus medos?

  • 09 de Dez de 2013
  • Sheila Almeida
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No dia 30 de novembro a Religare realizou o seu último workshop gratuito, tendo como tema o Medo. No começo viu-se que medo é uma reação em cadeia no cérebro que tem início com um estímulo de estresse e  termina com a liberação de compostos químicos, os quais causam aumento da frequência cardíaca, aceleração na respiração e energização dos músculos, que compõem uma rede de comunicações que é o ponto de largada para tudo o que uma pessoa sente, pensa ou faz. A resposta ao medo é quase inteiramente autônoma: a pessoa não a dispara conscientemente.  Como as células do cérebro estão constantemente transferindo informações e iniciando respostas, há dúzias de áreas do cérebro envolvidas no sentimento de medo, como o tálamo, o córtex sensorial, o hipocampo, a amigdala e o hipotálamo, que ativa a reação de "luta ou fuga".

 Nesse processo são liberados aproximadamente trinta hormônios diferentes, para preparar o corpo para lidar com uma ameaça e para criar uma resposta de luta ou fuga. A vazão repentina desses hormônios causa mudanças no corpo, como  aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, pupilas dilatadas, as artérias da pele se contraem enviando uma quantidade de sangue mais significativa aos grupos musculares maiores, o nível de glicose sanguínea diminui, os músculos enrijecem, sistemas não essenciais (como o digestivo e o imunológico) são desligados para guardar a energia para as funções de emergência e o cérebro deve se concentrar em somente uma coisa para determinar de onde vem à ameaça.

Tanto nos seres humanos como nos animais, o medo tem por objetivo promover a sobrevivência. Sentir medo de vez em quando faz parte da vida. O problema é viver com medos crônicos que podem debilitar uma pessoa tanto física, quanto emocionalmente. O  Medo e a Ansiedade formam uma parceria tão íntima que não há possibilidade de se imaginar ou sentir um sem o outro. Sempre que o medo está presente a ansiedade se revela, seja em evidentes sinais físicos ou em sintomas psíquicos.Os sintomas mais comuns do medo são fadiga, insônia, falta de ar ou sensação de sufoco, confusões, dores no peito e palpitações, instabilidade e sensação de desmaio,afrontamentos, arrepios, suores, frio, mãos úmidas, boca seca, tensões musculares, dores, dificuldades para relaxar, dificuldade para dormir, sensação de impotência, entre outros.

A cada aspecto analisado, ao se demonstrar a potência do medo, os participantes iam trazendo os seus medos, através das suas histórias de vida, e os mesmos iam sendo clareados e analisadas a sua gênese. Entre todos os medos, escolhemos aprofundar com os participantes O MEDO DE AMAR E SE COMPROMETER, muito usual no mundo moderno. Para entender esse medo, é preciso saber porque e como formamos vínculos e parcerias. O primeiro laço estabelecido por um ser humano é com a mãe, que inicia-se na concepção, estende-se durante a gravidez, prolonga-se durante o parto, continua através da infância, segue através da adolescência, até que o indivíduo atinja a maturidade. Essa mãe deverá proporcionar sobrevivência, segurança e estabelecimento de padrões ao seu bebê. Desse primeiro vínculo surgem estágios característicos dos relacionamentos futuros,  à medida que a pessoa cresce e vai aprendendo a estabelecer parcerias , como DEPENDÊNCIA, CONTRA DEPENDÊNCIA, INDEPENDÊNCIA e INTERDEPENDÊNCIA.

 Os parceiros dependentes apresentam alto grau de imaturidade, que faz com que quando se ligam a alguém, fazem como que um "encaixe", onde um supre as necessidades do outro, preenchendo vazios. Perder o parceiro dá uma sensação de morte, ou de extremo risco, por isso essas pessoas realizam jogos e chantagens, considerando tudo válido, desde que o relacionamento continue. Se as estratégias não funcionam, buscará um parceiro substituto para continuar a única forma de relacionamento que conhece. Já as relações baseadas na contra dependência são tumultuadas, cheias de rebeldia, constantes queixas, plenas de conflitos, exibições de independência, novas alianças e arranjos. Quando a relação contra dependente acaba, também surge uma sensação de abandono e carência que assusta muito. Na contra dependência a pessoa não tem consciência que depende do outro, e expressa isso através de raiva e conflitos. Com o término da relação passará um período sozinho, dizendo "não precisar" de ninguém.

É fundamental para o ser humano construir a independência e manifestá-la em todas as esferas da existência.  Os relacionamentos independentes expressam o grau de integração que a personalidade atingiu, mas ainda são marcados por um sistema de "compensações". É uma relação mais adulta e mais madura, podendo prolongar-se por muitos anos ou até a vida toda. A característica dominante é a possibilidade de lidar com a crise, com mais chances de transformá-la em um avanço da relação. No fim do relacionamento os parceiros têm menos necessidade de procurar outro de imediato. Nas relações interdependentes torna-se possível partilhar, trocar, fazendo da parceria uma experiência de enriquecimento mútuo. É uma relação onde a criatividade e a expansão de cada um é o mais importante. O indivíduo e o parceiro já não utilizam o outro para substituir o que lhes falta, mas através da relação eles crescem e ampliam a consciência e se terminam isso é vivido processualmente, através do fim de vários estágios ou modos de se relacionar.

Houve um espaço de trocas e reflexões, encerrando assim o décimo primeiro workshop gratuito do ano de 2013 realizados pela Religare e abrindo caminhos para novos encontros.

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